UM DIA QUE MUDOU AS NOSSAS VIDAS, NOVAMENTE!

 história positiva de parto em casa

Whoosh, já se passaram umas belas semanas desde a última vez que tive a oportunidade de me sentar  em frente a um computador para escrever. Apesar de ser maravilhoso poder aproveitar todos os momentos com o mais recém chegado membro da família, tenho de admitir que já tinha saudades disto.

Já se passou pouco mais de um mês desde que a Alma nasceu, e temos estado todos completamente apaixonados e a aproveitar ao máximo estes primeiros momentos que são tão preciosos. Não fazia ideia das saudades que tinha de sentir um bebé nos braços, de ouvir os barulhinhos que me enchem o coração e deliciar com os pequenos pés, mãos e tudo mais.

Se seguiram o meu diário de gravidez sabem que a Alma nasceu seis dias após a data prevista. Exactamente o mesmo tempo de gestação da Eva, e curiosamente, tal como no parto da Eva, desta vez também eu estava vestida com a mesma roupa. Mas deixando tais pormenores de lado, vamos começar com esta história de parto, que é para isso que estão aqui.

parto em casa

O final do dia quatorze de Junho começou com algumas contracções mais fortes do que o normal. Apesar de claramente já não se tratarem de contracções de treino, decidi não prestar muita atenção ou ficar com as expectativas altas, visto ter passado as últimas noites a sentir contracções.

À noite, já na cama, as contracções mantiveram-se persistentes e uma vez que não me estavam a deixar dormir, decidi levantar-me e organizar as últimas coisas que precisavam ser arrumadas no caso de ser necessário fazer uma visita ao hospital a meio da noite, como aconteceu no parto da Eva. Uma vez tudo organizado, assim que cheguei à cama, as contracções tinham desvanecido e assim consegui dormir uma noite descansada (dentro dos possíveis).

Acordar no sábado, dia quinze de Junho e perceber que mais uma vez as contracções tinham desaparecido durante a noite foi um pouco decepcionante. Sabia que esta bebé iria sair quando estivesse pronta a isso, mas a recente pressão de um possível parto induzido e o facto de ter passado horas na noite anterior com contracções fortes fizeram-me pensar que seria desta que iriamos conhecer a bebé Alma, mas bem, o que fazer senão esperar.

Depois do pequeno-almoço, seguimos até ao centro da cidade para fazer umas compras no mercado entre outras tarefas que precisávamos completar. Por volta das 10h00, enquanto passeávamos pelo mercado, apercebi-me de que estava novamente com contracções. Mais como dores menstruais, mas definitivamente consistentes. Por algum motivo, por mais que me sinta pronta para o parto no momento, demoro sempre a acreditar que de facto estou em trabalho de parto, por isso continuámos as compras até ao fim e seguimos então para casa comigo já a bufar cheia de contracções. Olhando para trás, se tivesse de adivinhar, diria que naquele momento as contracções estavam a acontecer em intervalos de cinco minutos se tanto e, sem dúvida, a ficar rapidamente mais fortes com o passar do tempo.

Chegámos a casa por volta das 11h00 e pouco demorei a perceber que não ia conseguir ajudar o David a arrumar as compras. Quando cheguei ao ponto em que as contracções me obrigavam a fazer barulho devido às dores, decidi que era altura de ligar à parteira, e ainda bem que o fiz nessa altura.

A parteira chegou a nossa casa perto das 11h45 e bastaram duas contracções para perceber o quão avançado o trabalho de parto já estava. No momento disse-lhe que as dores que sentia eram exactamente as mesmas que senti quando tinha sete centímetros de dilatação no parto da Eva, e de facto esse era exactamente o numero que estava dilatada no momento, o que foi um alivio saber.

Passei todo o trabalho de parto em pé, apoiada nas costas de uma cadeira e mais tarde na cama onde o parto aconteceu. Instintivamente ia movimentando as ancas de um lado para o outro sempre que sentia uma contracção a vir, o que de alguma forma me ajudou imenso a suportar a dor. Olhando para trás, fico feliz por termos continuado nas compras até à última e por ter tomado a decisão de permanecer de pé durante todo o trabalho de parto, pois tenho a certeza que ajudou bastante na forma como as coisas se desenvolveram desta vez.

A Eva, com três anos de idade, e o David estiveram comigo e com a parteira o tempo todo. A Eva foi espéctacular o tempo todo e nós estamos tão orgulhosos dela! A decisão de estar presente durante o parto foi dela, e por isso fomos preparando-a para o que esperar com bastante antecedência, mostrando vídeos educativos e até de partos de outras mulheres. Foi a minha companheira em todas as consultas com a parteira e, sempre que podia, ajudava as parteiras nas consultas, por isso o senso de ajudante foi crecendo nela e durante o parto, volta não volta ia-me dizendo para me deitar ou perguntando se queria comer ou beber água para me sentir melhor. Consegui perceber que se sentia um pouco preocupada comigo enquanto passava pelas contracções mas ainda assim esteve sempre completamente tranquila, curiosa e feliz para finalmente conhecer a irmã.

Pelas 12h30 senti uma vontade enorme de fazer força, por isso a pedido da parteira saltei para cima da cama e com a Eva do meu lado e com a parteira e o David nos lugares da frente, concentrei-me para ajudar a Alma a nascer. Depois de fazer alguma força, a parteira rebentou-me as águas e, tal como no parto da Eva, reparou que havia mecónio. No entanto, o parto já estava tão avançado que em vez de nos dizer que tinhamos de ir para o hospital, ouvi-a dizer que na próxima contracção queria que a Alma estivesse cá fora, e foi aí que pensei que nem que ficasse azul era naquele momento que a ia obrigar a conhecer o mundo. E assim foi. Pelas 12h50 olhei para baixo e vejo um pequeno ser tão lindo a vir em direcção ao meu peito. É-me impossível descrever a sensação de conhecer o nosso filho/a pela primeira vez. É uma sensação demasiado única para colocar em palavras. Apenas posso dizer que todo o quarto onde estávamos se encheu de uma imensa felicidade que nunca vou esquecer.

Já com a Alma deitada no meu peito, sentimos a pulsação no cordão umbilical que o David mais tarde cortou, e uns minutos depois foi o parto da placenta que também examinamos com curiosidade. Rapidamente a parteira fez-me um pequeno ponto e pouco depois pudemos os três apreciar a pequena Alma até a enfermeira de maternidade chegar para ajudar a limpar o quarto e cuidar de nós.

Durante este tempo todo o David tinha deixado a cozinhar no forno um peixe fresco que trouxemos do mercado, por isso assim que acabei de amamentar a Alma, tive direito a uma deliciosa refeição acabadinha de fazer e, deixem-me que vos diga, soube tão melhor do que pão e geleia do hospital - haha! Assim que acabei de comer fui então tomar o meu primeiro banho como mãe de duas meninas e apenas umas horas depois fomos então deixamos completamente a sós pela primeira vez.

Estou tão contente por ter conseguido ter um parto tão relaxado e positivo no conforto da minha própria casa. Sinto-me incrivelmente sortuda por ter tido o parto que tinha imaginado, sem medicação e com o David e a Eva junto de mim. Ter a Annelies como parteira, foi óptimo. Esteve sempre super tranquila como nós e a assistência dela foi completamente indispensável durante todo o processo. Não tenho palavras para descrever o quão repleto de felicidade este dia foi e o quão grata fico por esta experiência espetacular.

É de loucos olhar para trás e pensar em tudo o que fizemos neste dia, como começou e como acabou. Foi um dia super preenchido e a partir deste momento nunca nada vai ser como antes. Somos agora uma família de quatro e não conseguiríamos estar mais orgulhosos uns dos outros. Este foi sem dúvida mais um dia lindo que nos irá ficar para sempre na memória.

Espero que tenham gostado de ler esta história de parto. Mais uma vez, obrigada por continuarem desse lado!


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