EM REVIEW | ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

agosto 18, 2017

Ensaio sobre a cegueira

Este é, sem dúvida, um daqueles livros que ainda apenas a um terço da leitura já tinha conquistado um espaço permanente no meu coração, e rapidamente se colocou nos três primeiros da minha lista de romances livros preferidos de todos os tempos.

As obras de José Saramago não são para toda a gente, é um facto. Tenho por certo que o Memorial do Convento me chegou às mãos na altura errada da vida, quando por obrigação do ciclo lectivo teria que ler, o que me pareceu, milhentas páginas de um romance aborrecido repleto de pormenores desinteressantes (existe tal coisa?) e falta de pontuação. Mal eu sabia a adoração que, anos mais tarde,  viria a ter pelas obras do autor.

O Ensaio sobre a Cegueira foi o primeiro livro de José Saramago que a minha mãe leu e por isso, achou interessante oferecer-mo no Natal passado. Apesar de termos estilos bastante diferentes, até no que toca à leitura, a minha curiosidade era grande e mal podia esperar por mergulhar no mar de palavras com pontuação reduzida para tirar as minhas próprias conclusões.

Nem toda a gente aprecia a forma de escrita do autor. Entendo perfeitamente quando me dizem que "é demasiado confuso" ou "tive de ler o mesmo paragrafo várias vezes". Pessoalmente, adoro não só pela sua irreverência e originalidade mas porque obriga a uma atenção redobrada, o que facilmente fez como que me prendesse por completo à leitura. Outro pormenor interessante que aprecio bastante nas obras de José Saramago é que, por norma, as personagens não são referidas por um nome próprio, mas antes por alcunhas como "o velho com a venda no olho". Pessoalmente, considero mais cativante desta forma, uma vez que ajuda a criar uma imagem. Tal como acontece na vida real, sabem? É-nos mais fácil relembrar um rosto do que apenas um nome solto.

Ensaio sobre a cegueira de José Saramago

Para quem não sabe eu sou o cúmulo da distração e especialmente no que toca a ler livros preciso de estar num local calmo e sem qualquer barulho à minha volta para me conseguir dedicar a cem por cento à leitura. Só assim me sinto capaz de abrir o portal de transporte à outra dimensão, e para mim, ler um livro é exactamente isso. No que toca a este livro em particular, senti ainda mais essa especial necessidade de o ler sozinha por ser uma leitura tão pesada que quase consegue magoar de uma forma física.

A história baseia-se em torno de uma inexplicável epidemia de cegueira que afecta praticamente toda a gente. O tema, por si só, já é bastante assustador e dá asas à imaginação de terror, mas também é um daqueles medos presos no meu subconsciente desde cedo.

Ao longo da história vamos acompanhando a experiência horripilante e decadente de um pequeno grupo de pessoas que se vem a juntar por circunstâncias da vida. Cada uma destas pessoas tem uma característica especial, o que torna o grupo bastante interessante como um todo e cria dinâmica no desenrolar da história.

livro

É-me difícil falar sobre este livro sem dar demasiado àqueles que não o leram e gostariam de ler. Especialmente, porque gostaria que se o lessem, o fizessem como eu, de mente aberta e sem saber demasiado sobre a história.

Sem querer estragar a curiosidade tenho apenas a acrescentar que este não é um romance normal, pelo contrário, mais fala sobre a podridão do ser humano do que das coisas belas. Talvez por isso me tenha dito tanto. É um livro que desperta muitas sensações, maioritariamente revolta, pena e raiva e que sem dúvida recomendo a toda a gente ler pelo menos uma vez na vida.

Ensaio sobre a cegueira Jose Saramago

Alguma vez o leram? Vamos começar uma discussão sobre este livro nos comentários abaixo.

Têm alguma recomendação de leitura para uma futura review aqui no blog?




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4 comentários

  1. Eu com 18 anos tentei lê-lo mas não consegui. Tentei 3 vezes, mas sem sucesso. Talvez não estivesse desperta para ele. Este ano já é a segunda pessoa que fala dele... Vou encarar isso como um sinal e dar uma oportunidade. ;) Depois venho para aqui encher esta caixa de comentários.
    Entretanto deixo-te o título daquele que mais gostei de ler: um ensaio sobre a lucidez (apesar de para mim aquele final...) Não sei se já leste.
    Bj, LucieLu

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    1. Oh! Não li e adorava ler de seguida, mas ainda estou meio que a digerir este (apesar de o ter lido no inicio do ano). Acho mesmo que vale a pena. Pessoalmente falou-me muito e do pouco que te conheço acho que de certa forma vais gostar também! Estou curiosa para saber o que achas dele! Depois de ler o Ensaio sobre a lucidez falamos sobre ele também!
      Beijinhos

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  2. Também sou assim! Até há algum tempo atrás até insistia em levar livros comigo nos transportes, até que desisti. Demorava muito mais a lê-los, distraio-me com muita facilidade! Às vezes lia à noite e deixei de o fazer, porque ora estava ensonada e estava a ler mas não estava a assimilar bem o que lia, ou então quando dava por mim tinha ficado a ler mais tempo do que devia e perdia tempo de sono. Agora ando a gostar de ler de manhã. Normalmente era um periódo em que espreitava as redes sociais e troquei isso pela leitura e agora leio bem mais! :)

    Não há muito tempo um amigo falou-me de como gostou de ler o Ensaio sobre a Cegueira, e eu fiquei com curiosidade para o ler. Ao ler o teu poast a curiosidade aguçou-se ainda mais! :)

    No secundário o Memorial do Convento também esteve entre as obras que tive de ler, e ao contrário de ti, mesmo na altura já gostei dele!

    Eu tenho andado a devorar Murakami. Comecei pelo Colorless, que para mim é o melhor dele, e tornou-se mesmo o meu livro favorito, e depois fui lendo outros. Já leste alguma coisa dele?

    Um beijinho,

    Sofia | Monochromatic Wave

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    Respostas
    1. Hahah como eu te entendo, especialmente se o livro não estiver a puxar muito a curiosidade isso acontece-me imenso quando leio à noite. No dia seguinte, quando pego no livro já não me lembro metade do que li!
      Tenho a certeza que vais gostar deste livro e acho mesmo que vale a pena toda a gente ler pelo menos uma vez na vida.
      Conheço de vista alguns dos livros dele, mas ainda não li nenhum. Agora que falas nesse tenho a certeza por onde começar :) Obrigada!

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